Rastros moleculares da LMA recidivada

A percepção que para pacientes com leucemia mielóide aguda (LMA), os desgastantes ciclos de indução e consolidação poderiam ser muitas vezes representados pela clássica imagem do “enxugador de gelo” é inevitável diante de cada nova recidiva. Um estudo publicado na Nature em Janeiro de 2012 conseguiu seguir passo a passo os rastros moleculares destes eventos.

Utilizando técnicas avançadas de sequenciamento, pesquisadores da Washington University nos EUA, compararam o genoma de oito amostras de LMA ao diagnóstico e após a recidiva. Com esta poderosa “lupa”, foi possível identificar o surgimento sequencial de clones diferentes derivados do tumor primário. Além de confirmar a intensa instabilidade genômica da LMA, os pesquisadores identificaram dois caminhos moleculares nestas recidivas: (i) em metade dos casos, o clone presente ao diagnóstico adquire novas mutações, mas segue como clone predominante nas recidivas. Isto sugere que a indução/consolidação não teriam sido suficientes para erradicar a doença; (ii) na outra metade dos casos, o clone primário dá lugar a segundo clone que predomina nas recidivas. Nestas recidivas, não há mais sinal do clone primário, sugerindo que embora capaz de erradicar o clone original, a quimioterapia não evita o surgimento de subclones resistentes, que vão compor a recidiva.

O estudo vai mais além, ao estudar o padrão das mutações presentes ao diagnóstico e nas recidivas, que sugerem um papel fundamental da qumioterapia na indução de novas mutações presentes na recidiva. Em conjunto, estes resultados mostram a limitação da quimioterapia em erradicar a LMA, reforçando ainda mais a importância da busca por alvos mais específicos. O estudo é aberto ao público e pode ser conferido no link abaixo:

http://www.nature.com/nature/journal/v481/n7382/full/nature10738.html

 

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