Novos anticoagulantes podem mudar o tempo de tratamento da TVP e do TEP?

Cerca de 40% dos pacientes com tromboembolismo venoso (TEV) apresentarão uma nova trombose em até 5 anos após a parada da anticoagulação. Ainda assim, estes pacientes não recebem anticoagulação definitiva, pois na maioria dos casos o risco hemorrágico acaba sendo maior que o benefício antitrombótico. Este é o princípio básico do tratamento do TEV, baseado em numerosos estudos que sustentam a equação risco x benefício do uso de anticoagulantes nestes pacientes. Recentemente, a eficácia e a conveniência dos chamados “novos anticoagulantes orais” foi demonstrada em estudos de  tratamento e prevenção do TEV. Alguns destes estudos foram além, sugerindo que estes agentes podem até mesmo apresentar um risco hemorrágico inferior ao da varfarina em alguns subgrupos de pacientes. Mas seriam estas vantagens suficientes para modificar a equação risco x benefício que rege o uso de anticoagulantes orais? Três estudos publicados em Fevereiro de 2013 no “The New England Journal of Medicine” exploraram precisamente esta importante questão. Continuar a ler

Sobre alvos e estratégias: qual o hematócrito ideal na Policitemia Vera?

Apesar da imensa evolução no diagnóstico da PV, com a demonstração da presença da mutação JAK2 em quase todos os casos, o manejo prático destes pacientes permanecia até pouco tempo baseado em estudos observacionais e na experiência clínica, que sugeriam a manutenção de um hematócrito alvo de 45%, à base de sangrias terapêuticas e da hidroxiuréia (HU). Esta situação começa a mudar a partir da publicação, na edição de Janeiro de 2013 do New England Journal of Medicine de um estudo randomizado que comparou dois alvos terapêuticos para o Htc distintos: <45% versus 45–50%.  Continuar a ler

Novos anticoagulantes: novos dados sobre eficácia e segurança

Há pouco mais de 2 anos, novos anticoagulantes orais vêm sendo lançados no mercado como uma alternativa para a prevenção e tratamento de tromboses. Como contraponto à Warfarina, essas novas medicações prometem um manejo descomplicado, sem a necessidade de monitoramento laboratorial. Quem lida com a instabilidade do tratamento com Warfarin entende o tamanho da revolução que essas medicações podem representar. Não por menos, o dabigatran tornou-se um “blockbuster” em vendas nos EUA já nos primeiros meses de lançamento. Porém, pesa contra esses novos anticoagulantes uma dúvida quanto à segurança, já que estes agentes ainda não possuem um antídoto que possa ser utilizado em casos de sangramentos graves. Em novembro de 2012,  Fox e colaboradores publicaram no British Medical Journal (acesso livre aqui) uma meta-análise de 9 estudos, com mais de 16.000 pacientes, que traz novos dados sobre a eficácia e segurança de quatro novos anticoagulantes orais (rivaroxaban, dabigatran, apixaban e ximelagatran) em comparação à Warfarina.

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A pergunta definitiva no tromboembolismo venoso

A descoberta de trombofilias hereditárias de alta prevalência como o fator V Leiden no final do século XX trouxe a impressão que tínhamos finalmente em mãos ferramentas capazes de classificar nossos pacientes quanto ao risco de novos eventos trombóticos. Passado o entusiasmo inicial, grandes estudos prospectivos mostraram que a presença destas trombofilias não implicava necessariamente em risco aumentado de novas tromboses, em comparação a outros pacientes com TVP/TEP sem estas alterações. Cerca de 25% a 30% dos pacientes com TEV apresentarão uma nova trombose em até 5 anos. Na medida em que o tempo padrão de anticoagulação é de 6 meses, a ocorrência destas recorrências é aceita como inexorável, diante dos riscos injustificáveis da anticoagulação definitiva para todos, e de nossa incapacidade em discriminar estes 25-30% dos pacientes dos demais. Neste contexto, um estudo publicado neste ano no Journal of Thrombosis and Hemostasis (http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1538-7836.2012.04735.x/abstract) (para assinantes) apresenta uma nova ferramenta para estratificação de risco trombótico que pode nos auxiliar na decisão sobre a extensão ou não da anticoagulação. Continuar a ler

O uso da aspirina na prevenção de tromboses venosas

Quem não conhece um hematologista que, furtivamente, tomou 100 mg de aspirina antes de uma viagem intercontinental para prevenção de tromboses venosas? Até recentemente, a mera sugestão de uso de aspirina para a prevenção de uma TVP poderia ser considerada uma falácia. Pois bem: estes tempos podem estar chegando ao fim, a partir de um estudo publicado em Maio de 2012 no New England Journal of Medicine. Continuar a ler