Sobre preços, custos e mercado: o “case” do tratamento da LMC

O tratamento da leucemia mielóide crônica com inibidores de tirosino-quinase é talvez o maior exemplo do potencial da pesquisa em modificar substancialmente – para melhor – o tratamento de doenças hoje incuráveis.  Tendo transformado uma doença cuja sobrevida em 10 anos girava em torno de 10%, em uma doença crônica, com sobrevida próxima à da população normal, o desenvolvimento do Imatinib merece ser repercutido em todos os meios como um exemplo a ser seguido no que diz respeito à perspicácia de clínicos e cientistas, e ao inesgotável potencial benéfico da colaboração entre academia e indústria farmacêutica. No entanto, um artigo publicado na revista Blood em Abril de 2013, recentemente repercutido em editorial da Nature Medicine, revela que o caso ensina não apenas por seus acertos, mas possivelmente também por outros motivos.  Continuar a ler

Linfoma não-Hodgkin primário de mediastino: a cura é possível?

O tratamento das neoplasias sofreu grandes avanços nas últimas décadas, com o advento de compostos com ação específica contra células neoplásicas. Um exemplo destas drogas é o Rituximab, usado desde o início dos anos 2000 para tratamento do linfoma difuso de grandes células, e que elevou em 20-40% as taxas de resposta quando associado ao tratamento convencional. Este benefício, porém, não se estendeu para algun subtipos do linfoma difuso de grandes células, como o linfoma primário de mediastino. Nesta variante, mais agressiva e com perfil genético distinto, as respostas iniciais ao tratamento são inferiores a 70%, mesmo na era pós-Rituximab, às custas do emprego de radioterapia (associada a considerável toxicidade). Neste sentido são animadores os resultados publicados em artigo recente do The New England Journal of Medicine (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1214561 para assinantes). Continuar a ler

Novos modelos para estratificação de risco na LMA

Muito se tem falado sobre o impacto de novas tecnologias de sequenciamento genético sobre o entendimento da fisiopatologia do câncer. A cada edição das principais revistas científicas, uma imensidão de dados sobre o “perfil molecular” de várias neoplasias é divulgada, lançando as bases para que, em outras neoplasias, o percurso entre a descoberta do cromossomo Filadélfia e o tratamento atual da LMC seja reproduzido. No entanto, uma área em que a incorporação destas descobertas vem ocorrendo e forma bem mais rápida é a do diagnóstico do câncer. Neste contexto, dois estudos recentes publicados no New England Journal of Medicine e Blood mostram como esta incorporação pode refinar a avaliação de pacientes com LMA. Continuar a ler

Rastros moleculares da LMA recidivada

A percepção que para pacientes com leucemia mielóide aguda (LMA), os desgastantes ciclos de indução e consolidação poderiam ser muitas vezes representados pela clássica imagem do “enxugador de gelo” é inevitável diante de cada nova recidiva. Um estudo publicado na Nature em Janeiro de 2012 conseguiu seguir passo a passo os rastros moleculares destes eventos. Continuar a ler